Quem foi Marc Chagall

Retrato de Marc Chagall.

Marc Chagall (1887–1985) foi um artista russo-francês de origem judaica, nascido em Vitebsk, na Bielorrússia, quando ainda fazia parte do Império Russo e é reconhecido como um dos nomes mais influentes do modernismo no século XX. Chagall se destacou em várias áreas, como pintura, ilustração, vitrais, cerâmica, tapeçaria e cenografia. Sua obra dialoga tanto com as vanguardas modernas quanto com a tradição cultural judaica, e conquistou a admiração de contemporâneos e de artistas das gerações seguintes, mesmo diante das dificuldades que enfrentou ao longo da vida.

O Instituto leva seu nome por duas razões centrais: primeiro, pela relevância de sua obra, que retratou de forma única a vida judaica na Rússia do fim do século XIX e início do XX. Depois, porque o ano de sua morte, 1985, coincidiu com a fundação do Instituto, conferindo à homenagem um caráter ainda mais simbólico.

A vida de Marc Chagall

Marc Chagall nasceu em 1887, na Rússia czarista, na cidade de Vitebsk, localizada em uma região conhecida como “Zona Residencial”, onde os judeus podiam viver junto da população cristã local. Essa área abrangia Bielorrússia, Ucrânia, Polônia e Lituânia. Vitebsk tinha cerca de 50 mil habitantes, sendo metade de origem judaica, e possuía uma catedral e uma igreja rodeadas de belas casas. No entanto, apesar desse cenário, sua família vivia em condições humildes. Ele era o mais velho de nove irmãos e se destacava por falar russo, além de ídiche, e por ter contato desde cedo com a música e o desenho.

Marc Chagall: "Sobre a Cidade", 1918.
Marc Chagall: “Sobre a Cidade”, 1918.

Na adolescência, conseguiu autorização para estudar em São Petersburgo, algo raro para judeus na época. Lá recebeu uma bolsa que lhe permitiu frequentar uma prestigiada escola de artes, onde foi aluno do pintor Leon Bakst. Embora sua família fosse muito religiosa, apoiou seu desejo de explorar a arte sem limitações iconográficas, sempre valorizando a figura humana. Foi nesse período que conheceu Bella Rosenfeld, que mais tarde se tornaria sua esposa.

Em 1910, Chagall partiu para Paris em busca de novos horizontes. A vida na capital francesa foi marcada por dificuldades financeiras, mas também por intenso aprendizado. Entrou em contato com movimentos como o impressionismo, o cubismo, o fauvismo e o surrealismo. Mesmo assim, manteve seu estilo próprio, marcado por memórias de Vitebsk, suas casas de madeira, igrejas e personagens.

Na primavera de 1914, com a ajuda do poeta Apollinaire, realizou sua primeira exposição individual em Berlim. Antes de retornar à França, aproveitou para visitar a Rússia e reencontrar sua família e Bella. Porém, a eclosão da Primeira Guerra Mundial fechou as fronteiras, e ele permaneceu em seu país natal por oito anos, período em que produziu intensamente e se casou.

Com a Revolução Bolchevique, Chagall assumiu o cargo de Comissário de Belas Artes em Vitebsk. No entanto, teve dificuldades em adaptar sua arte às exigências do regime. Mudou-se para Moscou com a esposa e a filha, mas logo conseguiu regressar a Paris, cidade que se tornou sua segunda casa. Ali sua carreira ganhou força. Os poetas franceses viam poesia em suas telas, que retratavam amantes, flores, cenas circenses e, sempre, lembranças de Vitebsk.

Nos anos 1930, sua obra assumiu tons mais sombrios, refletindo o avanço do nazismo na Europa. A solidão e os temas judaicos ganharam espaço, e o vermelho passou a dominar suas cores, simbolizando ameaça e violência. Quando os nazistas invadiram a França, Chagall se exilou em Nova York, onde permaneceu durante a guerra. Sua criatividade sofreu nesse período, marcada pela angústia. Em 1944, perdeu Bella, vítima de um vírus misterioso, o que o mergulhou em profunda depressão.

Marc Chagall: O Concerto, 1957
Marc Chagall: “O Concerto”, 1957

Passaram-se 25 anos de trabalho criativo e Chagall voltou a Paris em 1948. Continuou a retratar Vitebsk, os amantes, os animais que simbolizavam pessoas, as flores e a figura de Cristo. Incluiu também a Torre Eiffel como parte de seu imaginário. Casou-se novamente, dessa vez com Valentina Brodsky (Vavá), e passou a viver no sul da França. Dedicou-se também à gravura, em que explorou temas bíblicos, e aos vitrais, que criou tanto para igrejas quanto para sinagogas. Com Picasso, descobriu a cerâmica, que praticou até o fim da vida.

Marc Chagall faleceu em 1985, deixando uma obra vasta e profundamente humana, marcada por poesia, espiritualidade e memória. Na cidade de Nice (França), há um belo museu com muitas de suas obras.